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A Capoeira nas Universidades


Atualmente, a capoeira integra, em algumas Universidades, um programa curricular na área da Educação Física, como na Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Universidade Católica de Salvador, entre outras. Na área de primeiro e segundo grau, já existe projetos e programas em andamento principalmente no estado do Rio de Janeiro, Bahia, Paraná e Distrito Federal. A partir do momento que a capoeira se inclui nas instituições de ensino, nos traz uma situação inusitada. Pois a capoeira durante anos era considerada como uma manifestação das camadas subalternas, de negros, e que durante muito tempo foi tratada como uma ilegalidade. Essa característica vem principalmente da metade do século XIX, onde os capoeiras constantemente se metiam em confusões e brigas que geralmente deixava um grande número de feridos. Existia até um artigo no Código Penal (Art. 402), que dizia que era punido com prisão celular por dois a seis meses, qualquer exercício de agilidade e destreza corporal (capoeiragem) nas ruas e praças públicas.

A capoeira quando começa a participar do contexto escolar ela está sujeita a incorporar as tendências da área, principalmente da Educação Física, com várias configurações. E é bem provável que ao incorporar-se à Ed. Física, ela comece a receber influências da área. Mas apesar da incorporação da capoeira na Educação Física, a capoeira não é Educação Física, mas sim uma manifestação cultural brasileira relativamente autônoma.

Nos primórdios, o aprendizado da capoeira se fazia de modo vivencial e informal, e era feito geralmente nos finais de semana. O praticante entrava no jogo calçado e com a roupa do dia-a-dia. Para estudarmos a incorporação da capoeira nas instituições de ensino, devemos relembrar no passado (anos 30) quando surge a capoeira regional, criada pelo mestre Bimba que incorporou alguns códigos da Ed. Física Militar. Bimba tira a capoeira do terreiro e coloca em recinto fechado, nas academias, o que possibilitou a participação das camadas sociais superiores. Foi portanto a partir da regional que a capoeira estabeleceu seus primeiros contatos com as instituições de ensino.

O mestre Bimba tinha contatos com os estudantes universitários de Salvador, principalmente os alunos de medicina e engenharia, o que fortalecia a vinculação da capoeira regional com o mundo acadêmico. O mestre Bimba foi procurado pelos estudantes para que ele os ensinasse a capoeira na pensão onde residiam, Mas apesar da regional está vinculado ao mundo acadêmico, ela não era praticada nas escolas, pois foram os estudantes que procuraram o mestre Bimba.

A relação entre a capoeira e a Ed. Física, trazem alguns aspectos que devem ser observados. A capoeira não pode ser vista como um conteúdo eminentemente técnico, como geralmente são tratadas as demais modalidades desportivas, nem tampouco ser tratada como uma manifestação folclórica vista a partir de uma visão histórica, que a trata como um produto pronto e acabado.

A capoeira enquanto modalidade, pode-se beneficiar dos avanços acadêmicos conquistados nesta área, como também pode contribuir para o processo de abertura de novos caminhos para a Ed. Física escolar. Algumas pessoas, dedicaram a sua dissertação de mestrado ao relacionamento da capoeira e da Ed. Física. Lima e Costa, focalizou seus estudos nos jogos recreativos das aulas de capoeira. Analisando primeiramente os fundamentos filosóficos e didáticos dos jogos e suas aplicações no processo educacional.

Santos, comparou o nível de desenvolvimento psicomotor de crianças submetidas à capoeira com o de crianças submetidas à Ed. Física tradicional pertencentes à mesma série escolar e as mesmas condições sócio-econômicas e concluiu que o grupo submetido ao programa de capoeira apresentou maior pontuação na bateria de testes psicomotores de Vayer. Cito também a participação da capoeira nos XVIII JEB’s (Jogos Escolares Brasileiros). A imprevisibilidade de uma roda de capoeira mostra claramente a dificuldade de abordá-la como categorias pré-concebidas. Não se constrói uma capoeira crítica e progressista apenas jogando, nem tampouco, teorizando ela, mas sim através da análise criteriosa de suas técnicas, rituais e condicionantes históricos em sintonia com uma prática sistemática.